terça-feira, 17 de novembro de 2009

17 de novembro de 2009

No fim das contas, é exatamente isso. Acostumamo-nos com o cardápio de sempre, engolindo a seco e desnutrindo a esperança de que tudo mude. A tal rotina das coisas, onde cada uma delas passa a ser, lá no fundo, esperada por cada parte do nosso corpo. A mente certamente não descansará, enquanto o coração bate devagarinho, como quem pede arrego. Talvez peça, embora poucos ouçam sua voz já rouca de tanto gritar.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

12 de novembro de 2009

Era tanta coisa para ser dita que, com medo de que as palavras atropelassem a ordem considerável das coisas, resolveu guardá-las como de costume, naquela mesma caixa empoeirada de sempre.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

5 de novembro de 2009

Lembrou das palavras da mãe sempre tão presentes quando o assunto era problema: "vocês tem uma vida tão boa, mas ainda assim insitem em reclamar tanto... não sabem o que é um problema de verdade". Ao contrário do que sempre havia pensado, dessa vez concordou. Era uma dramática por natureza, repleta de buracos no coração que ela mesma havia cavado. Sabia que lá no fundo suas dores e amarguras eram muito maiores em sua cabeça do que a realidade apontava. Não lembra ao certo quando o hábito começou, mas sabe que otimismo nunca foi a palavra de ordem da sua vida. Sempre questionando, sempre duvidando, sempre tão cheias de expectativas para as quais desejava apenas um fim: a frustração. Talvez um pouco masoquista-melodramática, chorava mas gostava da ardência e das noites de sono perdido. Até o dia em que a vida resolveu apertar contra a parede e mandou decidir entre ir ou rachar. E então entendeu como funcionava verdadeiramente o exercício de desapego. Abriu portas, armários, gavetas e o coração, recheou sacolas e páginas daquilo que sobrava, num ciclo de acúmulo que nem mais se percebia. Ao fim, tudo limpo, somente o essencial e um mundo a menos nas costas. Apertou os olhos bem forte e desejou que aquela sensação permanecesse para sempre. Será dessa vez?

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Décimo nono desabamento

Qual era mesmo o nome disso, ou daquilo? Aquilo que te infla, como um balão daqueles infantis, coloridos, cheio de pompa lá no alto do céu, e que depois murcha como uma flor esquecida há séculos. Aquilo que te causa as melhores sensações do universo, torna seus dias mais róseos, tudo numa suavidade majestosa, numa brisa leve, muito leve, e que depois faz o ar rarefeito, o coração bater acelerado, mas não é de ansiedade, causa dificuldade para respirar e a dor de um nocaute. Aquilo que estimula os planos e as vontades mais gostosas, por vezes nunca sequer imaginadas por nossa mente e nosso corpo, e que depois desmorona como um castelo de areia, implodido.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Décimo oitavo desabamento

Coisas e dias realmente inexplicáveis. Vai ver alguma coisa sempre precise estar fora do lugar mesmo... Mais alguns parênteses ocos e aspas vazias quando as linhas deveriam ser infinitas e grandiosamente prolongadas.
Vai ver certas coisas não tem lugar mesmo...

domingo, 4 de outubro de 2009

Décimo sétimo desabamento

Se eu pedisse arrego e confessasse o quanto meu coração está estraçalhado? Se eu gritasse que minha cabeça dói e eu já não consigo mais pensar? Se eu chorasse as lágrimas de vidro que ninguém vê enquanto me escondo? Se eu pedisse pra dormir, eternamente, cansada de tudo?

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Décimo sexto desabamento

Aqueles que vivem, bem sabem que há dias e dias. Há inclusive um famoso ditado popular que diz "um dia da caça, outro do caçador". Grande sabedoria dos povos. Provavelmente em quase todas as culturas deve haver ditados que expressem isso.
Às vezes, logo que acordo, fico brincando de tentar prever como será o decorrer do dia e aquilo que vai encerrá-lo, com chave de ouro ou não. Alguns são possíveis: já começam tortos, com telefone tocando e ninguém para atender, celular que despertou há séculos e você desligou sem perceber que já está uma hora atrasada, aspirador de pó passeando pela casa, cachorro da vizinha latindo, passarinho cantando em stress maior... É, tem dia que dá para prever. Outros, entretanto, começam com contornos tão sutis, com aquela brisa marota entrando pela janela e despertando com aconchego, que parece impossível admitir seu trágico desenrolar. Bombardeios na sua cabeça quando só o que você queria era conseguir uma noite de sono tranquila. Que ultimamente, aliás, tem sido bem difícil.
Enfim, costumo encerrar o dia tentando convencer a mim mesma com as palavras mágicas: "foi só mais um dia ruim; amanhã passa!". E eu ainda acredito!